Simplificação Tarifária e reformulação da Rede de Transportes da Área Metropolitana de Lisboa

Aos Trabalhadores do Metropolitano de Lisboa, E.P.E.

O Grupo de trabalho que o Governo criou para “estudar” a revisão das redes de transportes públicos e a simplificação do sistema tarifário, apresentou, às Câmaras Municipais da área metropolitana de Lisboa. Este documento, contem as propostas que divulgamos e das quais destacamos: Simplificação Tarifária e reformulação da Rede de Transportes da Área Metropolitana de Lisboa

Este estudo contém, entre outras, a barbaridade de encerramento de toda a nossa rede pública às 23 horas, e as 21:30 horas nas ligações: Campo Grande – Odivelas e Pontinha – Amadora.

A CT considera que esta proposta é um grave atentado à mobilidade das pessoas na área metropolitana de Lisboa, à qualidade do serviço que prestamos e aos largos investimentos feitos ao longo dos anos.

A CT lembra que o nosso serviço até à 01hora tem permitido a milhares de pessoas deslocarem-se após o seu dia de trabalho e/ou estudo.

Para nós que sabemos bem quem transportamos, todos os dias, a essa hora, temos bem a noção do gravíssimo transtorno que provocará esta medida economicista.

Sabemos bem que a generalidade das pessoas, legitimamente, transportará para a nossa Empresa e os seus colaboradores a justa indignação de tal medida.

Nós estamos contra esta medida!

Assim, a CT apela a que as Câmaras Municipais intervenham no sentido de defender os seus munícipes.

Alertamos ainda para, segundo o “grupo de trabalho” estar a ser proposta a eliminação do bilhete simples e do passe de 30 dias para o Metro.

Esta “eliminação acarretará um aumento muito significativo para todos os clientes que só usam um meio de transporte urbano – ou Metro, ou Carris, sendo a partir de agora obrigados a adquirir títulos de transporte para os dois operadores em conjunto, quer usem os dois operadores quer não.

Damos o seguinte exemplo – um passe de 30 dias, só para o Metro custa hoje 23,90€, um passe combinado (Metro/Carris), para os mesmos 30 dias custa 33,85€. Ou seja, se quisermos acreditar que não vão existir, para já novos aumentos no tarifário, só com esta medida o cliente do Metro passará a pagar mais cerca de 10€ / mês.

Recordamos que só nas tarifas exclusivas do Metro, foram arrecadadas no ano de 2010, segundo o Relatório e Contas da Empresa, 28.920.893€, correspondendo a 55.630.000 passageiros transportados.

É esta a receita de que nos veremos amputados, são estes os clientes que afectaremos.

Esta é uma forma encapotada de aumentar o preço dos transportes, diminuindo o serviço prestado.

Nós estamos contra esta medida.

Sabemos e manifestámos publicamente disponibilidade para contribuir no encontrar outras soluções.

Percebemos que não se queiram sentar à mesa para dialogar, nem queiram ser confrontados com outras soluções, porventura melhores e mais eficazes dos que as que nos querem impor.

Sabemos e percebemos que o que pretendem, afinal, não é o aumento de eficácia e da eficiência da nossa Empresa e do serviço público que prestamos, mas simplesmente impor um modelo neoliberal de privatização da nossa Empresa e do nosso serviço.

A Comissão de Trabalhadores